segunda-feira, 2 de maio de 2016

Gravidez indesejada por quem?



Aos 41 fui surpreendida grávida. Foi um relacionamento passageiro e sem intenção de progredir. Sendo assim, encontrava-me em uma situação complicada: solteira e futura mãe. Tive muitos medos, mas em nenhum momento pensei em abortar. Tive medo de que a criança crescesse sem o pai, medo da sociedade tratá-la com discriminação, medo de que eu fosse julgada como “irresponsável”.

De repente, vieram lembranças do meu passado, de quando minha mãe sempre reclamava de como a vida da mulher era uma vida difícil.

Foi uma gravidez não querida, mas, muito desejada. Sempre quis ser mãe ...mas não daquela forma. A vida da mulher é cheia de cobranças e, até então, eu tinha sido uma pessoa sempre “correta” diante do que a sociedade exigia para agora ser taxada de “irresponsável”.

O que vejo na vida de qualquer mulher, seja ela velha, nova, bem sucedida ou não, é que as cobranças sociais são grandes, mas as cobranças pessoais são ainda maiores. Mulheres ainda são consideradas bibelôs sociais, ainda há uma imposição para que falemos baixinho e não exponhamos intimidades físicas ou morais.

Os nove meses de gravidez foram cruéis e solitários ...mas hoje vejo que tudo que passei foi necessário para me tornar mais forte. Hoje ser mãe foi o melhor presente que ganhei.

L.C.O.V

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